O que é a Rinossinusite?

A rinossinusite é definida como a inflamação da mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais, caracterizada por sinais e sintomas que incluem: obstrução nasal, rinorréia anterior ou posterior, dor ou pressão facial, diminuição ou perda do olfato; além de achados endoscópicos isolados ou concomitantes como pólipos, secreção mucopurulenta em meato médio, edema obstrutivo de mucosa de meato médio. Alterações tomográficas na mucosa do complexo ostiomeatal ou dos seios paranasais geralmente estão presentes.

As rinossinusites podem ser classificadas de acordo com a com a duração, frequência das crises e intensidade dos sintomas.

Classificação segundo a duração e frequência das crises:

Aguda: quando os sintomas são de início súbito, duram até quatro semanas e desaparecem completamente após o tratamento.

Subaguda: trata-se da rinossinusite diagnosticada após a 4ª semana de instalação dos sintomas, podendo os mesmos persistir por até 12 semanas;

Crônica: quando há persistência do quadro por mais de 12 semanas, com sintomas mais leves, mas que podem apresentar períodos de intensificação. A polipose nasal é considerada um subgrupo desta entidade;

Recorrente: quando ocorrem quatro ou mais episódios de rinossinusite por ano, com ausência completa de sintomas entre os episódios;

Classificação segundo a gravidade dos sintomas

Considerando-se a gravidade dos sintomas, as RS são divididas em leve, moderada ou severa. Neste caso, solicita-se ao paciente que indique numa escala visual analógica o quão incômodo são os sintomas de rinossinusite.

IMPORTANTE! Do ponto de vista prático, se os sinais e sintomas não se agravam e não ultrapassam 10 dias, pode-se considerar a rinossinusite como sendo de origem viral.

ETIOLOGIA

A rinossinusite é uma doença multifatorial, podendo estar relacionada a fatores locais, como obstrução dos óstios sinusais, ou sistêmicos, como alteração no transporte mucociliar e disfunção no sistema imune.
Cerca de 0,5-10% das infecções agudas de vias aéreas superiores de origem viral (IVAS) evoluem para rinossinusite bacteriana. Os vírus respiratórios, como o rinovírus, o vírus sincicial respiratório e o influenza são os agentes mais comumente envolvidos. A obstrução do óstio sinusal durante um resfriado comum pode alterar significativamente a drenagem e a ventilação do seio, contribuindo para o desenvolvimento de uma rinossinusite bacteriana. A rinossinusite pode também ser causada por corpos estranhos nasais, barotrauma sinusal, deficiência imune, discinesia ciliar, infecção dentária e iatrogenias (ex. cirurgia nasossinusal).
Os agentes etiológicos mais comuns das rinossinusites agudas bacterianas em adultos, correspondendo a mais de 70% dos casos, são o Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenzae. Com menor frequência, podemos encontrar a Moraxella catarrhalis, o Staphylococcus aureus e o Streptococcus beta-hemolyticus.
O papel do agente bacteriano nas rinossinusites crônicas ainda é um tema não totalmente esclarecido. Apesar de uma gama variada de microorganismos ser encontrada nos seios paranasais de indivíduos com infecção crônica, ainda há dúvidas em relação à importância destes na etiologia e patogênese da doença, acreditando-se que, em grande parte dos casos, a infecção seja secundária ou adjuvante. Além disso, até o presente, não está totalmente claro se a rinossinusite crônica se desenvolve a partir de uma aguda ou se tratam de entidades diferentes.

QUADRO CLÍNICO

Os sintomas mais frequentes de rinossinusite aguda são obstrução nasal, rinorréia anterior/posterior, dor/pressão facial, cefaléia e redução/perda do olfato. Outros sintomas que podem estar presentes são cacosmia, halitose, irritação faríngea, dor de garganta, disfonia, tosse, otalgia, plenitude auricular, mal-estar e febre. As variações individuais dos sintomas são numerosas. Os quadros crônicos apresentam sinais e sintomas menos característicos, geralmente mais brandos.
Ao exame otorrinolaringológico, comumente observa-se edema e hiperemia da mucosa nasal, secreção mucopurulenta em meato médio e drenando pela parede posterior da orofaringe. Podem também ser encontrados desvios septais, pólipos nasais, retração de membrana timpânica e secreção em ouvido médio.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

A maior parte dos casos de rinossinusite aguda é de origem viral. No curso de uma rinossinusite viral, devemos suspeitar de uma infecção bacteriana quando a sintomatologia persiste por mais de 10 dias ou quando há piora dos sintomas após o quinto dia. Não existem sinais ou sintomas específicos que possibilitem a diferenciação com absoluta certeza entre um quadro viral e bacteriano. Quando a rinorréia é aquosa ou mucóide, podemos supor que se trata de um quadro viral ou alérgico. Em infecções bacterianas, a secreção tende a se tornar mucopurulenta, no entanto, em infecções virais, a secreção também pode ser do tipo purulento nas fases mais finais do processo. A presença de secreção francamente purulenta sendo drenada através do meato médio é altamente significativa de infecção bacteriana. As culturas de secreção, que poderiam confirmar a etiologia do quadro, não são indicadas na prática clínica diária.